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Eu bebo saudade.

Há quem diga que eu não penso em você em nenhum segundinho do meu dia. Aqueles que creem que vou pros bares e bebo até adormecer os dedos pelo simples fato de querer me divertir ou apenas por gostar da sensação do álcool tomando conta do meu corpo. 

Os que acreditam que beijo outras bocas por não me lembrar do gosto da sua, por não querer se quer relembrar. Que distribuo sorrisos por esbanjar felicidade. Mas sabe, nem sempre o sorriso é o espelho da alma.

Por algum tempo acreditei incontestavelmente nessas ''certezas'', que aos poucos tornaram-se tão incertas. Talvez eu me protegesse dentro de uma capsula protetora, daquelas de metal pesado mesmo, pra que ninguém conseguisse sentir a minha dor, muito menos entender o motivo dela. Eu me escondia. Talvez até de mim.

Os meses passaram e eu te levo na mala, te guardei bem no fundinho pra se misturar com as roupas velhas e não escapar, não ter tempo e chances de reagir ou se retirar. Sempre te levei na mala, e isso passou a me incomodar agora. Me vejo presa em aspectos que tomei como verdades absolutas, me deixei levar por um sentimento - que agora, é incapaz de me fazer feliz.

Dei-me conta de que penso em você em cada instante do dia, te idealizo em qualquer coisa que olho, em tudo que sinto. Percebi que os bares são meras lembranças tuas, e as bebo... Seu cheiro permaneceu aqui, e ainda posso te ver alí, sentado no balcão enquanto pede mais uma dose daquela bebida horrível. Idealizando-te novamente, deixo o álcool tomar conta de mim, assim como fazia com meu corpo, é como beber saudades.

Reparei que beijo as mais diversas bocas, encaro os mais distintos olhares, tentando encontrar semelhanças suas. Em seguida percebo o quão em vão foi a tentativa, e é assim, me equivocando todos os dias, te procurando em todos os cantos, te buscando em todos os rostos, que me surge a pergunta: ''Por que não jogar a mala fora?'' 

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